À Flor da Pele
À Flor da Pele Era só mais um dia comum, desci as escadas segurando a saia do uniforme, amarrotada e esbranquiçada pelo tempo. Cheguei na cozinha, cumprimentando meu pai e mãe e logo saí pela porta da frente, fingindo não ouvir o comentário de meu tio que acabava de chegar. Não gostava dele, meus pais não entendiam o porquê, e eu não iria explicar. Ao sair de casa, cabeça baixa como sempre, pude sentir o vento gélido da aurora recém chegada, enquanto meus passos automáticos me levavam até o edifício que frequentava todas as manhã. No caminho, ignorava os assovios e fingia não ver as mulheres encolhidas como flores no início do inverno, às vezes eu me sentia assim... Uma flor, ou eu deveria me sentir, vivia a ouvir sobre como devia me comportar, ser tão flexível quanto à flor do campo, porém bonita e perfumada como as rosas mais raras, apenas para impressionar um viajante que passasse por mim, me colocasse em seus braç...